Mulheres debatem urgência da igualdade feminina em evento promovido pela ADPEP e a Deputada Marinor Brito

Anna Izabel Santos, Vice-presidente da ADPEP, falou sobre a violência que as mulheres sofrem. "A violência no Brasil tem raça, gênero e condição social, as vítimas são, em sua maioria, negras", disse.

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Representantes de vários movimentos de luta em defesa da igualdade feminina participaram, na manhã desta sexta-feira (28), da mesa redonda “Mulheres corajosas, mulheres sobreviventes”. O evento foi realizado pela ADPEP e pela Deputada Marinor Brito (PSOL) no auditório João Batista, da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). A programação foi transmitida ao vivo pelo Facebook e pelo site da ADPEP.

A Sessão Especial foi em homenagem ao Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado no último dia 26, e aos 14 anos da Lei Maria da Penha. Durante a abertura dos trabalhos, o Hino Nacional foi interpretado pela cantora paraense Rosa Cor. Em seguida, houve uma apresentação com um grupo artístico composto por alunos e ex-alunos da Escola Estadual Brigadeiro Fontenele, que participam do Projeto Cine Club TF (Terra Firme).

Anna Izabel Santos, Vice-presidente da ADPEP, falou sobre a violência que as mulheres sofrem. “A violência no Brasil tem raça, gênero e condição social, as vítimas são, em sua maioria, negras; a mulher é vítima desde que se encontra no ventre de sua mãe. Não existe no Brasil dados também sobre violência aos que fazem parte do LGBTIQ+, aparecem como invisíveis, é algo que não podemos aceitar. A Defensoria Pública do Estado do Pará espera que essa Casa de Leis nos ajude nesse diagnóstico”, concluiu.

Segundo a Deputada Marinor Brito, vice procuradora Especial da Mulher do Poder Legislativo, é importante refletir sobre os avanços e as conquistas dos direitos das mulheres e também sobre o combate à violência sofrida por elas.”Este momento foi solicitado pelos movimentos sociais que lutam na defesa dos direitos das mulheres. No Pará, precisamos cada vez mais aprofundar nas questões de igualdade, pois ainda há um abismo na falta de políticas públicas em diversos setores, principalmente na área econômica. As mulheres precisam de concretização na defesa dos seus direitos e este parlamento, através de Projetos de Leis, busca fazer o seu papel, ele intervém junto a outros poderes para garantir a dignidade da pessoa humana”, disse a Deputada Marinor Brito.

Segundo Domingas Martins, representante do Grupo de Mulheres Brasileiras e do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, existem projetos bons na defesa da igualdade feminina, mas é necessário a execução. “Tem discussões, aprovações de vários projetos que garantem a defesa das mulheres, mas percebo que falta a prática de muitos deles. Nossos representantes devem nos ajudar com a implementação de políticas públicas”, destacou.

A Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado do Pará, Norma Miranda, disse que o evento é de suma importância. “Nós, mulheres, temos uma luta constante, buscamos o nosso fortalecimento e ganhar mais espaço, tanto no trabalho como na política”, disse.

O Dia Internacional da Igualdade da Feminina marca momentos importantes das mulheres na busca por condições de igualdade entre os gêneros. Vale ressaltar a conquista de direitos na vida profissional e política. As grandes conquistas femininas devem ser lembradas e, ao mesmo tempo, as desigualdades que ainda permanecem nas sociedades do mundo todo.

HISTÓRIA

Em 26 de agosto de 1973 o Congresso dos Estados Unidos decidiu que nessa data seria comemorado o Dia Internacional da Igualdade Feminina, em homenagem à aprovação, 53 anos antes, da 19ª emenda, que permitiu o voto às mulheres norte-americanas.

No Brasil, o voto feminino chegou em 1934 e somente se tornou obrigatório em 1946. Mesmo com muitas outras conquistas, como direito à licença maternidade, acesso a anticoncepcional e a criação de leis contra violência doméstica, infelizmente, ainda há um extenso caminho a ser percorrido para a igualdade.