Defensor Adriano Souto e Defensora Juliana Oliveira dão entrevista ao ‘Profissão Repórter’

Profissão Repórter visitou empreendimentos, obras inacabadas invadidas e ouviu depoimentos de pessoas que foram expulsas de suas próprias casas por grupos criminosos.

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No Brasil, faltam oito milhões de moradias. O Profissão Repórter visitou comunidades, obras inacabadas, lugares com péssimas construções e até invasões de milícias, que agravam o drama da falta de um teto.

No Pará, o repórter Estevan Muniz foi até a cidade de Ananindeua e visitou o que era para ser o conjunto Pouso do Aracanga. A construção do empreendimento parou pela metade e há dois anos todos os imóveis foram ocupados.

Para retomar a obra, a Caixa Econômica Federal entrou com uma ação de reintegração de posse, que está marcada para 11 de novembro.

Questionadas pela reportagem, nem a Caixa e nem o Ministério do Desenvolvimento Regional souberam informar o número exato de obras paradas no Brasil. No Pará, segundo o Sindicato da Industria da Construção Civil, a paralisação afeta 19 das 42 obras.

No Conjunto Liberdade, no bairro do Guamá, o local vive com um entra e sai de novos moradores devido às obras paradas. O empreendimento foi planejado para ser ocupado por famílias que foram retiradas de palafitas há quase uma década. Mas com as paralisações nas obras, a área já foi ocupada três vezes.

“Infelizmente, a gente não tem uma solução nem em médio ou longo prazo. Aqui no Pará não, porque o deficit de moradia é muito grande. É lamentável o que tem acontecido aqui. Muita gente já foi beneficiada pelo Minha Casa Minha Vida, mas o que tem acontecido é que muitas obras paralisaram e foram ocupadas antes de que as pessoas estavam escritas no programa fossem beneficiadas”, diz o defensor público associado da ADPEP Adriano Souto Oliveira.

A Defensoria Pública do Estado do Pará recebeu denuncias de famílias sendo retiradas dos seus imóveis por grupos criminosos em quatro conjuntos habitacionais.

A equipe do Profissão Repórter foi atrás de mais informações sobre a ação de grupos criminosos nos locais, mas com medo, poucas pessoas aceitaram falar com a reportagem.

“Na verdade não foi eu que invadi nada. Ele foi cedido para mim por uma terceira pessoa. Como estava precisando na época, não tinha para onde ir, ai eu aceitei. Mas estou entrando em trâmite com a secretaria para legalizar para o meu nome”, explica a moradora Denize Fonseca.

Uma senhora de 60 anos que foi vítima da ação da milícia aceitou falar com o repórter Estevan Muniz. Sem mostrar o rosto, ela revela que foi expulsa de casa em março deste ano.

“Eu fui para o interior visitar parente por uns três dias, quando cheguei estava arrombada a grade, trocaram a porta, minhas coisas não estavam, tinham as de outra pessoa. A pessoa levou um choque. As pessoas que sabiam o que estavam acontecendo me falaram para ir embora. Ai decidi sair e não voltar mais”.

Há mais de seis meses a Defensoria Pública vinha tentando um acordo extrajudicial com a Caixa e a Secretaria de Habitação da prefeitura para resolver o problema de moradia das famílias que foram expulsas.

“Pedimos para a Caixa para que fosse suspensos os contratos para que as pessoas não precisassem mais pagar as parcelas dos apartamentos. Nós pedimos para a Sehab o pagamento de aluguel social ou o remanejamento imediato dessas famílias para outros empreendimentos e pedimos também a instauração de inquéritos policiais. Esses inquéritos ainda não foram concluídos. A Caixa Econômica não suspendeu o pagamento, inclusive está ameaçando com o nome das pessoas no SPC/Serasa”, diz o defensor público associado da ADPEP Adriano Souto Oliveira.

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